Sexta-Feira passada fui a Fnac do Chiado, e la encontrei uma ex-amiga, hoje mae solteira com um filho de 11 anos. Disse-me que o filho era um grande fa de Hip Hop tuga e por isso comprou-lhe a compilação Poesia Urbana vol I. “Foi a pior coisa que fiz!” disse ela de forma exaltada. Ficou horrorizada com o meu som Fim da Ditadura e disse que aquilo era o tipo de coisa que ela jamais queria que chegasse aos ouvidos do filho. Chamou-me de insensato, terrorista, e extremista. Foi-se enervando e disparou-me com a palavra Extremista inúmeras vezes.
Neste modelo de sociedade em que estamos inseridos, onde as pessoas são manipuladas para terem medo de rupturas e revoluções e onde lhes é incutido uma especie de paranoia pela moderação, ser extremista é ser demente, fanatico e inconsciente.
Mas afinal o que é de facto um extremista? Extremista é todo aquele que adopta teorias extremas/fracturantes e que não esta disposto a negociar e a abdicar delas por motivo algum.
Como Trotskista que sou, defendo o dialogo e a negociação constante como forma de se arranjar as melhores soluções para cada situação. Todas as ideologias podem ser readaptadas a realidade existente. É necessário, perceber os novos tempos, as culturas, os comportamentos, o clima, a geografia, etc, para se poder evoluir para sociedades mais justas e igualitarias.
Mesmo sendo uma pessoa aberta e dialogante, sou extremista em muitas coisas e orgulho-me disso. Ha muita coisa que para mim não tem meio-termo, nem Lado B.
Sou extremista com muito gosto , quando digo que em situação alguma apoiarei esse tipo de guerras “a americana” cujo o resultado final traduz-se quase sempre na morte de milhares de pessoas inocentes e na extorsão da riqueza dos outros.
Sou extremista com muito gosto , quando me recuso a comprar produtos de empresas que teem como pratica comum, o desrespeito pelos direitos humanos, muitas vezes pondo crianças a trabalhar como máquinas durante 14 / 16 horas por dia. (normalmente existe a tendencia para se culpabilizar as marcas mais conhecidas, mas muitas vezes são as empresas que teem as marcas brancas que mais teem esse tipo de conduta.)
Sou extremista com muito gosto , quando aceito todo o tipo de “crime” consciente de manos que são vitimas da exclusão social, que sobrevivem nesta oligarquia do Ocidente e que assaltam grandes estruturas financeiras como Bancos, Bombas de Gasolina ou Hipermercados.
Sou extremista com muito gosto , quando digo a esses executivos de editoras que não vale a pena marcarmos reuniões para eles me tentarem convencer a assinar contratos que me vão forçar a fazer música que não quero.
Ser extremista em situações de luta e protesto, faz de nos activistas e isso tem enorme relevancia nas reformas e transformações que desejamos. Moderados não fazem História.
Valete
Correu bem, gostei muita da sensação!
Até à próxima!! =)